Associ-ações em prol
do futuro
A participação social e o engajamento da nossa população nas causas políticas são uma realidade no cenário atual das associações de pacientes de Cannabis sativa no Brasil.
Os pacientes que fazem uso da Erva se beneficiam de uma força espiritual e medicinal que rapidamente os faz conscientes da incoerência do Estado, ao proibir o uso responsável da planta no nosso país.
A inabilidade dos governos brasileiros para atender a crescente demanda da população pelos benefícios terapêuticos da Cannabis sativa, especialmente de crianças e idosos, abriu espaço para que pessoas envolvidas com o cultivo e o processamento da Erva se organizassem para prestar auxílio a esses pacientes, proporcionando a eles bem-estar e qualidade de vida.
Com essa realidade, nos últimos anos, milhares de pessoas têm se beneficiado da Cannabis sativa no Brasil. Esse trabalho é liderado por grandes médicos que, com dedicação aos estudos e às pesquisas, encontraram um medicamento aliado que apresenta poucos efeitos colaterais e que gera benefícios inigualáveis aos pacientes, que muitas vezes estão em situações de dores agudas, degeneração cerebral, epilepsia, isolamento social e outras condições sérias.
Nesse contexto, vamos entender mais sobre o movimento associativista vinculado à Cannabis sativa no Brasil:
A liberdade como inspiração para o surgimento das Associações Brasileiras
As associações de pacientes de Cannabis sativa medicinal no Brasil, inspiradas por movimentos históricos como os de Gandhi, de Martin Luther King e de Marcus Garvey, desafiam leis que consideram injustas, ao fornecer acesso à Cannabis sativa para fins medicinais, mesmo sem autorização legal.
No Brasil, isso ocorre porque o acesso legalizado ainda é limitado e burocrático, exigindo que pacientes recorram à judicialização, um processo caro e inacessível para muitos.
Em levantamento realizado por Kaya Mind em 2025, existem pelo menos 259 associações em funcionamento no país. Dentre elas, de acordo com os advogados especialistas em litigância associativa, Emílio Figueiredo e Matteus Jacarandá, apenas 16 possuem autorização judicial cível ou salvo-conduto coletivo para cultivo e dispensação dos produtos a seus associados.
Esses números indicam que muitas entidades atuam à margem da regulamentação formal, para garantir o acesso dos pacientes ao tratamento necessário.
O resultado do associativismo
As associações de pacientes desempenham um papel essencial na democratização do acesso à Cannabis sativa medicinal no Brasil.
Essas organizações surgiram para suprir a lacuna deixada pelo Estado e enfrentam desafios como falta de regulamentação, dificuldades financeiras e resistência de setores conservadores.
Além de fornecerem óleos e extratos de Cannabis sativa a preços acessíveis (ou mesmo gratuitamente, em alguns casos), essas entidades desempenham um papel crucial na educação da população a respeito do tema e também na capacitação médica. Muitas colaboram com universidades e institutos de pesquisa para ampliar o conhecimento sobre os benefícios terapêuticos da Cannabis sativa.
A relevância das associações não se limita apenas ao tratamento dos pacientes. Elas também desempenham um papel político, pressionando por mudanças legislativas e participando de debates públicos sobre a regulação da Cannabis sativa.
Movimentos como a Marcha da Maconha e ações judiciais estratégicas têm sido fundamentais para impulsionar a aceitação da Cannabis sativa medicinal no Brasil.
Apesar dos desafios, o aumento do número de associações e sua aceitação crescente pela sociedade indicam um futuro promissor. A tendência é que, com o tempo, essas organizações consigam uma regulamentação mais clara e favorável, garantindo que um número ainda maior de pacientes tenha acesso seguro e democrático aos tratamentos à base da Cannabis sativa.
A Flor do Amor e seus paz'cientes sociais
A Associação Flor do Amor desempenha um papel muito importante junto a pessoas que precisam de tratamento médico mas não têm possibilidade de arcar com o pagamento das consultas e dos medicamentos.
Por meio do Acolhimento Querubim, a Flor do Amor recebe paz'cientes sociais, oferecendo escuta amorosa e cuidadosa e custeando tanto a consulta com um médico parceiro quanto os medicamentos produzidos pela Associação, de forma parcial ou integral, dependendo da situação do paz'ciente e de sua família.
As pessoas que procuram o auxílio da Flor do Amor têm perfis variados: adultos, crianças e também tutores de animais. A maioria desses paz'cientes sociais são famílias de baixa renda, ou porque não podem trabalhar, por conta de sua condição de saúde, ou porque não podem sair de casa, por cuidarem de algum parente em tempo integral.
As mães dos paz'cientes sociais geralmente estão nessa situação. Elas precisam se dedicar aos filhos, crianças ou adultos, que apresentam muitas demandas, o que dificulta que elas tenham algum trabalho remunerado. A maioria dessas mães exercem trabalhos autônomos, que não exigem horários rígidos. Mas, por terem que cuidar dos filhos, acabam dispondo de pouco tempo para o trabalho. Isso afeta a renda da família.
O Acolhimento Querubim melhora a vida dos paz’cientes que iniciam o acompanhamento médico e começam a ter acesso às medicinas. E melhora também a vida de seus familiares, por verem o alívio dos sintomas de seus entes queridos e por passarem a ter condições de dedicar mais tempo a um trabalho remunerado.
Atualmente, a Associação Flor do Amor cuida de 15 paz’cientes sociais por meio do Acolhimento Querubim. Estamos nos empenhando em estruturar as condições para aumentar esse número.
Texto: João Pimenta, Samantha Reis, Alexandra Joffily
Arte: Sonam Henry
Revisão: Pedro Turbay